ABRAPEE divulga Nota de Repúdio sobre a proposta do governo federal de Ensino Médio a Distância

A Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional – ABRAPEE vem a público manifestar seu repúdio pela nefasta proposta do governo federal de liberação de 40% do Ensino Médio a Distância.

Nosso posicionamento funda-se na luta por Educação de qualidade para todos os jovens brasileiros, considerando:

  • O inciso III do artigo 35 dos Parâmetros Curriculares Nacionais (2000) aponta que “O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.”É necessário questionar como este objetivo poderia se efetivar com aulas online, uma vez que aprimorar-se como pessoa humana implica necessariamente em contato, em convivência, em relacionamentos interpessoais reais, não na frente de um computador. Relações que possibilitem o aprendizado da solidariedade, da superação de preconceitos, do trato com a diversidade humana. Além disso, certamente aulas prontas transmitidas impedirão debates e questionamentos, fundamentais para o desenvolvimento dos jovens, pois é diante dos impasses e divergências que ocorrem no convívio diário nos espaços escolares concretos, que se promove formação ética e pensamento crítico.
  • Os dados sobre educação no Brasil têm revelado elevadas taxas de reprovação e evasão no ensino médio. Um levantamento do próprio governo federal sobre evasão escolar revela que 12,7% e 12,1% dos alunos matriculados na 1ª e 2ª série do ensino médio, respectivamente, abandonaram os estudos entre os anos de 2014 e 2015, de acordo com o Censo Escolar, enfatizando-se as maiores taxas nas escolas rurais. Como imaginar que num país com a extensão territorial e limitação no acesso à Internet, como o nosso, a solução estaria em aulas a distância? O Ensino Médio precisa sim mudar, mas por meio de alternativas que revigorem e fortaleçam os processos educacionais.
  • Fica evidente o interesse econômico, que sem dúvida implicará em maiscontenção de custos com a Educação, considerando-se a redução de professores, lógica que tem sido recorrente nas atuais políticas. Tal medida vem, mais uma vez, agravar e reduzir as condições de trabalho dos professores da rede pública, já tão depreciados. Evidentemente a implementação desta propositura ampliará ainda mais o sucateamento da educação para os estudantes das classes populares. Diante de dados revelados pela ONG Todos pela Educação,em 2015havia 511 escolas públicas de Ensino Médio sem água tratada e 8.215 não tinham esgoto sanitário público. Como imaginar que num país com a extensão territorial e limitação no acesso à Internet, como o nosso, a solução para o Ensino Médio estaria em aulas online?É completamente descabida e leviana a proposição de acesso tecnológico a todos os alunos brasileiros do Ensino Médio em um quadro educacional em que direitos básicos de acesso e de permanência sequer são atendidos!

 

  • Medidas incoerentes revelam o total desnorteamento das instâncias federais diante das proposições na área da Educação para o Ensino Médio, pois acaba de ser alardeado nas mídias o Ensino Médio Integral, proposta, aliás, que também revela sucateamento e aligeiramento da educação pública. Em seguida apresenta-se a ideia de 40% do curso à distância. Afinal cabe indagar: Integral ou a distância?

Assim, entendendo que, mais uma vez, esta proposta vem para sonegar direitos especialmente dos jovens das classes populares, ressaltamos nossa perplexidade e, como representantes da Psicologia Escolar brasileira nos posicionamos absolutamente contrários a esta proposta.

A Diretoria,

Gestão 2016-2018

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